O
problema educacional número um no Brasil diz respeito ao ensino básico. Todas
as circunstâncias atuais apontam esse ramo do ensino como mola mestra do nosso
sistema de educação escolarizada. Ninguém pode se tornar útil a coletividade,
ou a si próprio, sem um mínimo de instrução. A primeira condição para a
valorização do homem e o aproveitamento social de suas energias físicas,
intelectuais e morais reside na instrução e cabe à escola fundamental
transmitir parte dessa instrução, que deve ser compartilhada por todos e formar
alicerces de qualquer aprendizagem mais complexa ulterior.
O
nosso ensino básico tem de começar de baixo, pois tudo está por fazer. Além de
ensinar o aluno, precisamos despertar nele à consciência para práticas, ideais
de vida e valores sociais que nunca foram acessíveis às massas populares. Se,
ou enquanto isso não ocorrer, o crescimento econômico, o desenvolvimento
político e progresso social continuarão a fazer-se, no Brasil, segundo modelo
extra e antidemocrático.
Mudanças
dessa magnitude na qualidade do ensino exigem radicais alterações em sua
estrutura, na forma e nos conteúdos das práticas pedagógicas e no rendimento do
trabalho didático.
Seria
preciso ampliar o período letivo escolar, de modo a ocupar, pelo menos, oito
horas do tempo da criança, por dia, durante seis anos no mínimo, referentes à
educação infantil. Outrossim, seria necessário introduzir modificações na
composição e diferenciação do pessoal docente, para ajustá-lo num trabalho
didático mais variado, intensivo e produtivo, bem como nas instalações e
equipamentos das escolas, com o fito de adaptá-las às novas funções e
estrutura.
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